Agências de viagens trabalham com
fornecedores. Ou seja, a agência de viagens em 99,9% das vezes não são donas do
avião, nem do hotel, nem do ônibus ou dos serviços de receptivo prestados no
Brasil e no exterior. O grande aliado das agências de viagens são os
operadores. A agência de viagens faz as solicitações do serviço que o cliente
quer e o operador faz as reservas e emite o voucher, documento que comprova a
validade de determinado serviço turístico, para determinada pessoas e período
de validade. O diferencial do operador é que ele por concentrar diversas vendas
de diversas agências em um só lugar, logo ele tem melhores condições de
negociação de tarifas com os mais diversificados produtos turísticos como
hotéis, resorts, aéreo , seguro viagem etc. Tarifas essas que muitas vezes o cliente não consegue comprando
na internet de forma isolada.
Mas como nós profissionais
devemos escolher os nossos fornecedores? O que é relevante na hora de firmar
uma parceria?
Hoje para cada 1 agência de
viagens existem em média 30 operadores. Ou seja, pessoas que visitam quase
todos os dias a sua agência de viagens em busca de parceria na emissão de
produtos turísticos. A grande maioria oferece incentivos ao agente de viagens.
Esses incentivos podem ser em dinheiro, ou ofertas de viagens quase que
gratuitas no Brasil e no mundo em famtours ( viagens de familiarização do
turismo ). Muitos operadores oferecem cartões magnéticos de pontuação, onde a
cada venda que o agente fizer, ganha pontos ou incentivos em dinheiro de acordo
com o valor da venda. Outros operadores trabalham com sistema de metas e
depositam o dinheiro diretamente na conta do agente de viagens. Enfim, são
incentivos e mais incentivos que enchem os olhos dos vendedores, os quais
sonham com uma graninha extra no final do mês.
Mas será que essa é a forma
correta de selecionarmos os fornecedores e parceiros que atenderão os nossos
clientes? Não preciso nem responder não é?
Digamos que em um belo dia de
domingo, onde você agente de viagens que só quer descansar, recebe uma ligação
no celular de um cliente desesperado porque está no check-in do resort e lá
descobre que apesar da apresentação do voucher não há nada reservado no sistema?
Sua primeira ação será ligar para seu fornecedor ou operador. Aquele mesmo
operador que te dá prêmios em dinheiro pelas vendas que você indica. Mas aí vem
o grande problema. O operador não atende nem a própria mãe aos domingos e não
tem um suporte 24 horas por dia e 7 dias por semana. Então o cliente pede para
você ligar no resort e informar que ele pagou pelo serviço e precisa se
hospedar. Então eu pergunto: como? Como
o agente de viagens vai resolver algo desta natureza se a pessoa que ele
atendeu foi o cliente? Quem tratou da negociação com o resort foi o operador
que está na praia com o celular desligado. Nada que o agente de viagens diga à
recepção do hotel vai adiantar. Para todos os efeitos o agente de viagens não
existe. E agora? O cliente vai dormir na rua?
Seguem algumas coisas a serem
avaliadas na hora de indicar um operador ao seu cliente:
·
Serviço de atendimento ao cliente 24 horas por
dia e 7 dias por semana: Isso faz toda a diferença na hora do desespero, como
um dia de domingo em apuros ou feriado;
·
O horário de funcionamento do operador deve ser
compatível com o horário de funcionamento da agência de viagens: Não adianta
sua agência funcionar das 08:00 as 19:00 se seu operador funciona das 08:00 as
17:00
·
Rapidez: Em um mundo onde todos os clientes têm
internet em casa, a rapidez nas informações e serviços requerem o máximo de
rapidez e agilidade, nunca perdendo a boa qualidade.
·
Prefira sempre operadores associados à BRAZTOA (
Associação brasileira das operadoras de turismo ).
· Preço baixo para oferecer ao cliente é ótimo,
mas nada adianta se o serviço for deficiente. As vezes a economia é
irrelevante, valendo mais a pena indicar ao cliente um operador mais eficiente
mesmo que custe um pouquinho mais caro.
·
Site para consultas, vendas e orçamentos
on-line: Operadores que possuem serviço de atendimento on-line facilita e muito
a vida do agente de viagens. Assim a agência não terá altos custos com
telefonia, podendo resolver quase tudo através do sistema, de forma rápida e
segura.
·
Visite a operadora e observe se o número de
atendentes disponíveis são suficientes para atender a demanda. Em uma imensa
metrópole como São Paulo, uma operadora que só tem 2 ou 3 operadores
trabalharão sobrecarregados, e estarão mais sujeitos a erros e atrasos nas suas
solicitações.
·
Evite operadores freelancers. Os freelanceres são operadores que trabalham
de forma autônoma em casa. Enquanto estiver dando tudo certo ótimo, mas na hora
dos problemas os freelancers nem sempre conseguem resolver os problemas devido
a falta de estrutura e licença. Muitos freelancers são honestos mas já
presenciei muitos casos de bandidos, que oferecem pacotes 50% mais baratos mas
com um detalhe: viagem não incluída.
Deixo claro
que não tenho absolutamente nada contra aos incentivos oferecido pelos nossos
fornecedores. Mas essas não podem e nem devem ser os fatores primordiais para
firmar uma parceria. A agência de viagens tem total responsabilidade pelos
produtos fornecidos ao cliente. O cliente, na hora do imprevisto, não vai querer saber quem é ou quem foi o
operador. Para o cliente só existe você. É de você que ele vai cobrar
providências urgentes, afinal foi à você quem ele confiou a vigem dos sonhos.